Veja como uma gestão estruturada da saúde mental pode contribuir para a prevenção de riscos, o bem-estar das equipes e indicadores como absenteísmo e produtividade.
Hoje, a relação entre saúde mental e produtividade no trabalho ganhou espaço nas discussões de RH e liderança, reforçando que o bem-estar emocional não é apenas uma responsabilidade individual: as condições e a organização do trabalho também fazem parte dessa equação.
Essa mudança de perspectiva também é impulsionada por dados que mostram como as condições de saúde mental podem afetar a capacidade de trabalhar, as ausências e a produtividade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, depressão e ansiedade são responsáveis pela perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com um impacto estimado de US$ 1 trilhão em perda de produtividade. Confira os dados da Organização Mundial da Saúde
Quer entender melhor essa relação e o que o RH pode fazer na prática? Continue a leitura!
Quando a saúde mental não recebe a atenção necessária, os impactos também podem aparecer em diferentes indicadores da organização. O desafio é que algumas dessas consequências são menos evidentes e nem sempre são associadas imediatamente às condições de saúde e bem-estar no trabalho.
O absenteísmo — relacionado às ausências e faltas ao trabalho — costuma ser um dos sinais mais visíveis. No entanto, existe um fenômeno mais sutil que também merece atenção: o presenteísmo.
Ele ocorre quando o profissional continua trabalhando mesmo diante de uma condição de saúde ou bem-estar que compromete sua capacidade de desempenhar plenamente suas atividades. Nesses casos, podem surgir dificuldades de concentração, tomada de decisão e execução das tarefas, afetando a qualidade das entregas e aumentando a possibilidade de retrabalho.
Por isso, olhar para absenteísmo e presenteísmo de forma conjunta ajuda o RH a compreender melhor os impactos do bem-estar no trabalho e a identificar oportunidades de prevenção e suporte.
A rotatividade de funcionários (turnover) gera despesas com recrutamento, seleção, treinamento e perda de conhecimento técnico.
Quando o esgotamento profissional contribui para afastamentos ou desligamentos, os impactos podem ir além dos custos de reposição da vaga, alcançando também a distribuição de demandas, a continuidade do trabalho e a experiência da equipe que permanece.
Por isso, acompanhar fatores relacionados ao burnout e ao esgotamento profissional também faz parte de uma estratégia mais ampla de prevenção e cuidado.
À medida que o RH passa a acompanhar indicadores relacionados à saúde e ao bem-estar de forma mais estruturada, os dados podem ajudar a identificar tendências, avaliar ações e apoiar decisões. É nesse contexto que o people analytics pode contribuir.
Ao analisar de forma responsável indicadores como absenteísmo, rotatividade, pesquisas de clima, adesão às iniciativas de saúde e dados agregados relacionados ao bem-estar, o RH pode identificar tendências e orientar ações preventivas.
Sempre que informações pessoais de saúde estiverem envolvidas, no entanto, é fundamental observar critérios de finalidade, privacidade e proteção desses dados. Isso porque informações referentes à saúde são classificadas pela LGPD como dados pessoais sensíveis e recebem proteção específica.
Nesse cenário, além de perguntar quanto custa implementar um programa de bem-estar, a gestão também precisa considerar os impactos de não agir sobre fatores que afetam a saúde mental no trabalho.
Construir um ambiente de trabalho mais saudável e sustentável exige ações práticas e consistentes. Confira algumas frentes que podem fazer parte dessa estratégia:
Para avaliar os resultados de uma estratégia de saúde mental, o RH precisa acompanhar sua evolução ao longo do tempo. Indicadores como absenteísmo, rotatividade, adesão às iniciativas, percepção de bem-estar e afastamentos podem ajudar a identificar tendências e orientar ajustes.
Resultados financeiros e indicadores como sinistralidade ou produtividade também podem ser observados, considerando que são influenciados por diferentes fatores. Mais do que buscar uma relação imediata de causa e efeito, o acompanhamento permite entender se as iniciativas adotadas estão fazendo sentido para aquela população e onde existem oportunidades de melhoria.
Na prática, olhar para saúde mental e produtividade de forma integrada ajuda a empresa a construir condições mais sustentáveis para que as pessoas trabalhem, se desenvolvam e entreguem com qualidade ao longo do tempo.
Além disso, uma estratégia consistente de cuidado pode contribuir para a experiência dos colaboradores e fortalecer a forma como a organização se posiciona em relação à saúde e ao bem-estar de suas pessoas.
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